O Estudante de Medicina

Quem conta: saerlylima
Conta mais: sobre dar mais valor antes de qualquer perda.

Era 24 de Julho de 2014 e minha mãe reclamava constantimente de dores abdominais. Ela sempre tomava remédios por conta própria. Nessa data, sua dor não passava nem com medicamento que, dessa vez, era receitado pelo médico.

Em 26 de Julho, meu aniversário, a primeira ligação do dia era do meu pai, como era de se imaginar:
– Filha, feliz aniversário! Estou trabalhando e sua mãe não dormiu de tanta dor, você pode levá-la no hospital?

Saí do jeito que estava e fui. Ela já havia passado por 3 médicos naquele mesmo hospital e nenhum descobrira o que era. O médico que a examinou pediu que eu a levasse para o hospital da cidade vizinha. Naquele dia, ficamos no hospital. Dormi (não dormi) em uma cadeira no corredor e ela deitada em uma maca.

Fui para casa ver meu filho e meu telefone tocou. Dessa vez, minha tia, que era enfermeira do hospital:
– Você pode voltar? Sua mãe vai entrar pra cirurgia, encontraram uns nódulos no exame.
Sem pensar, saí novamente ao encontro dela… precisava vê-la.

Meu pai me ligou chorando. Meu chão caiu, nunca tinha visto ou ouvido meu pai chorar. Queria tanto chegar… se eu pudesse, num piscar estar lá.

Na espera da cirurgia, minha mãe chorava pelo fato de ser tudo tão rápido. A levei até a porta do centro cirúrgico, tentando ser forte pra que ela também se acalmasse. Ela só saiu do centro cirúrgico no fim da noite. Falou comigo, bem baixinho, que estava bem. Eu ía ao hospital todos os dia, sem falhas.

No dia 3 de Agosto ela ainda estava lá. Fui buscar o resultado da biópsia e não me contive: abri para ler. Não sou médica, mas, como gosto de ler sobre saúde, conhecia alguna termos.

Corri todo o hospital e não encontrava nenhum médico, cerca de duas horas depois voltei a buscar alguém que me confirmasse o que eu achava que era. Encontrei! Aquele mesmo médico que havia atendido ela na minha cidade. Falei com ele, que me levou a uma sala e confirmou:
– Câncer…
Lágrimas desciam por minha face sem parar.
Ele me abraçou e disse que o médico que a atendeu que deveria contar pra minha mãe.

O que marcou nessa jornada foi que ela recebeu o diagnóstico de uma forma seca e direta do médico. Ela chorou muito e ele saiu do quarto, junto de um aluno de medicina que o acompanhava durante esse processo. Mas o aluno voltou, pegou em sua mão e disse:
D. Edimar, a senhora vai sair dessa! A senhora não tem mais nada, você vai ver! Não fique assim, você precisa ser forte. Se precisar de algum tratamento, você vai fazer e isso vai passar!

Ele foi embora e nunca mais o vimos.

Nunca fui uma filha ruim, nunca dei trabalho mas pensar que eu poderia perdê-lá me fez ser ainda melhor pra ela, por ela. Aprendi a dar valor maior à minha vida, à ela, à todos ao meu redor. E acredito que, mais do que nunca, Deus coloca anjos em forma de pessoas pra conduzir tudo da melhor forma possível. Hoje eu sei o que é ser/ter mãe.

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