Em Copacabana

Quem conta: tathy
Conta mais: sobre ir mais vezes pra onde a vida faz sentido.

Voltando do passeio com as cachorras, bem na porta do meu prédio, passo por um rapaz de camiseta vermelha e mochila. Quando atravesso o portão, já dentro do prédio, olho de novo e vejo o mesmo rapaz caído, feito morto, com o rosto virado para o chão, uns dois metros adiante.

Logo uma senhora e um homem se adiantam, acodem, e o rapaz desperta atordoado. Tenta se sentar, tenta limpar o rosto. Minha irmã, que estava comigo, sai do prédio e também vai lá. O porteiro corre e volta com uma garrafa de um litro de água. Minha irmã entra e prepara um sanduíche pro moço e enche uma sacola de frutas que mais parece uma cesta básica. Alguém compra um salgado e um café com leite. Todos acham que o problema é fome.

O rapaz explica que veio de São Paulo, trabalha em uma obra em Campo Grande, mas hoje queria ver o mar.

Passa um moço que o reconhece. Outro dia tentou ajudá-lo a voltar para SP através de um serviço de assistência social. Perguntam se quer ir na UPA, ele diz que já foi. As pessoas já se dispersam, ele parece bem. Um minuto depois, ele vai embora também, sumindo no vai e vem de gente em Copacabana.

Hoje, ele só queria ver o mar. Por alguns instantes, ele também foi visto.

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