O Câncer de Mama

Quem conta: joãopacheco
Conta mais: sobre o Outubro rosa e os outros meses também.

Ano passado, no dia do meu aniversário, ao acordar, vi minha minha mãe chorando. Nas mãos, resultados de exames de rotina. Algumas alterações. Poderia ser coisa simples, nada muito grave, talvez. No coração, a sensação de que tempos difíceis estavam por vir. E o coração não falha mesmo. Assoprei! A vela do bolo apagou. O pedido? Força, talvez.

Alguns dias depois, novos exames, e um diagnóstico: câncer de mama. Silêncio. Sabe o que mais me deixa curioso? O câncer é uma das poucas doenças que não afeta apenas o paciente. É uma reação em cadeia que sai destruindo sonho por sonho de cada coração que se liga de alguma maneira ao da pessoa acometida. Nós (pronome ou substantivo, tanto faz) que vão sendo desfeitos, um por um.

Não tive muito tempo para mastigar a notícia. Ela precisou descer a seco mesmo, apenas ser engolida. Dez minutos, talvez. O tempo suficiente para duas lágrimas (uma de cada olho). Abri a porta do quarto e uma nova batalha se iniciou. Uma luta travada no dia-dia, que ensina o coração de filho a perceber que Fé não é apenas acreditar em Deus. Fé é aprender a concordar com Ele! Mãe, você não está sozinha! Biópsia. Quimioterapia. Cirurgia. Recuperação. Curativos. Remédios, muitos. Radioterapia. Palavras que resumem a estranha mania que o ser humano possui de tentar acreditar, mesmo quando tudo aponta para o oposto. Esperança… o resumo da vida!

No fim das contas, o que fica é isso mesmo. Esperança! A espera ansiosa por aquilo que ainda não se vê.

Eu poderia, em meio a tantos desertos já vividos, ter desistido. Mas não. Corri ao encontro dessa doença e abracei de tal maneira que em vários momentos ela também foi minha! Se o câncer queria me tirar algo precioso, abraçá-lo talvez seja uma boa maneira de fazê-lo desistir. Acompanhei minha mãe em cada detalhe, em cada sessão, comprei lenços, fiquei careca também (a vida gosta de me deixar assim – Hahaha!).

Um ano depois. Aniversário novamente. Ao acordar, vi minha mãe sorrindo. Nas mãos, resultados de um conjunto de ingredientes misturados. Um bolo, talvez. No coração, a certeza de que tudo vai bem. E o coração não falha mesmo. Dessa vez, preferi não assoprar. Apenas deixei a vela se consumir, entendendo que viver talvez seja exatamente isso, a beleza de não interromper a luz. O pedido? Amor. O verdadeiro! Aquele que não deixa palavras não ditas, que entende que só temos o hoje, e nada mais. Que abraça as diferenças, que vai ao encontro das necessidades. É de amor que o mundo tem fome. E sede também.

Daqui pra frente, não apenas os de outubro, todos os dias serão rosa.

PS especial: Mulheres, não deixem para outubro aquilo que não pode esperar. Se cuidem. A vida é preciosa demais!

4 replies to “O Câncer de Mama

  1. Ohhhhh!! Posso ler mil vezes e vou me emocionar, igualmente!!
    João, meu caro, que mesmo longe se faz perto…belissimo texto, palavras encaixadas perfeitamente, na leitura, na vida!!
    Parabéns por tudo! Por sua escrita e pelo modo como vive a vida!
    Saúde para tod@s! Fé para tod@s, todos os dias!

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