Depois do Bloquinho de Carnaval

Quem conta: julianacasemiro
Conta mais: sobre receber ajuda de onde menos se espera.

No último sábado fui comemorar o aniversário de uma amiga querida em um boteco em São Paulo. O dia estava quente e ela reservou umas mesas na calçada, estava tudo ótimo.

Lá perto havia um bloquinho de carnaval, aparentemente bem tradicional no bairro do Campo Belo. Quando terminou, todos os foliões foram continuar a festa no boteco que estávamos. Eram em grande parte pessoas mais velhas, de 40 a 60 anos, todos de abadá.

Eu e um amigo éramos os únicos sentados na longa mesa porque estávamos almoçando. Estávamos bem no meio e tinham umas 8 mesas de madeira juntas. Comecei a sentir uma movimentação estranha na ponta esquerda, onde os foliões estavam em peso, até que reparei num senhor, nitidamente muito alcoolizado, xingando bem feio uma senhora, que estava sendo protegida por duas pessoas que tentavam apartar a discussão.

Na hora, comentei com o meu amigo que era melhor a gente ficar de olho, mas em poucos segundos a mulher resolveu jogar uma cerveja na cara do homem e foi quando a briga começou. Ele partiu pra cima dela e muita gente em volta entrou no meio. Eu levantei correndo e gritei pro meu amigo sair, mas fiquei encurralada entre a parede atrás de mim, as mesas e as cadeiras dos meus dois lados. Num piscar de olhos, eu senti um empurrão e vi as mesas no chão. Tinha muito vidro e fiquei desesperada, porque não tinha uma saída rápida e a briga cresceu de forma irreal bem do meu lado.

Foi nessa hora que alguém me estendeu a mão e me puxou dali. Não sei como eu saí. Olhei pra trás pra garantir que meu amigo estava longe e só depois virei para aquela senhora bonita e elegante que me abraçou e perguntou se eu estava bem. Minha perna estava toda suja e eu já nem sabia se era por ter me machucado ou não. Ela me levou ao banheiro para limpar e me trouxe água com açúcar, porque eu tremia muito.

Enquanto eu não me tranquilizei, ela não me largou. Foi uma mãe pra mim. Neste intervalo de tempo, tudo se acalmou e reencontrei meu amigo. Ela falou algo como:
– Você está bem mesmo? Se precisar qualquer coisa, estamos aqui.
Eu achei inicialmente que ela era dona do lugar, mas ela era apenas uma cliente com vários amigos numa mesa.

Ela saiu de dentro do bar pra me salvar. Felizmente, nada grave aconteceu com ninguém. O susto foi grande, mas receber aquela ajuda foi enorme.

Seja essa pessoa no Carnaval e sempre. Faça os outros lembrarem de você pelo que você tem de bom.
Bom feriado!

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