Na Capital

Quem conta: anônima
Conta mais: dos encontros que valem a pena virar reencontros.

Peguei um táxi sozinha em uma capital do Brasil pela primeira vez. Me senti amedrontada por não conhecer o motorista. Medo normal de quem sai de uma cidade pequena e vai pra “cidade grande”.

Estava indo a rodoviária para voltar pra minha casa no interior de Minas. Logo ao entrar no táxi, puxei assunto com o taxista e ele me perguntou se eu era do interior, assenti e perguntei o por quê. Ele me disse que não era comum das pessoas da capital serem gentis com ele.

Conversamos até o caminho e ele me contou sua história de vida: foi criado com o avô em Brasília e, após a morte dele, foi encontrar com sua mãe. Por obra do destino, se mudou com a cara e coragem para Vitória, onde construiu família e adquiriu o táxi dele.

A história mexeu comigo porque eu não estava bem, estava desanimada. Mas ao ouvir, senti que minha vida estava boa demais, que não tenho motivos para reclamar. Me deu ânimo novo para persistir. Paguei a corrida e não me contive, me despedi com um abraço.

Ele ficou meio sem graça, mas foi a melhor forma de retribuir a mudança que ele começou dentro de mim. Hoje guardo o cartão dele, pois na próxima viagem pretendo reencontrá-lo.

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