O Cara

Quem conta: julianacasemiro
Conta mais: o tempo e as palavras curam tudo.

Eu tive a sorte de ter no início da carreira 2 primeiros chefes que me inspiraram muito. Mas isso foi há 10 anos atrás, quando tudo começou. Depois dessa experiência, a vida me surpreendeu de formas contínuas e repetitivas com chefes que – vamos dizer assim – não me inspiraram em nada.

Num dos últimos empregos fui premiada e tive uma dupla de superiores que eram o par perfeito em quesitos que desejo sempre tirar a nota zero. Eu poderia listar eventos e acontecimentos vividos, mas eu prefiro que a minha memória seja alimentada de coisas boas. E, nessas horas, eu me lembro dele: “O Cara”.

O Cara teve um papel muito importante na minha contratação para essa empresa e trabalhamos paralelamente por um ano. Encontrá-lo era sempre uma alegria e paz, diante de um cenário que pouco me proporcionava isso. Toda vez eu era recebida com um sorriso e ele parava o que estava fazendo para ouvir minhas histórias. E, veja bem, ele era oficialmente muito ocupado e cobiçado. Todos gostavam muito dele!

Depois de longos meses de relacionamento, nossa história profissional acabou por conta de um contrato e estávamos muito tristes e frágeis com a situação. Parecia um divórcio. Nessas horas, qualquer pano quente facilitaria, mas eu fui forçada a tacar fogo através de um email que a dupla de superiores não queria mandar. Como é ruim lidar com a falta de coragem. Me lembro de apertar o “Enviar” com lágrima nos olhos, porque eu sabia que aquilo ia ferir a relação – justo a que eu mais prezava!

Mas ele é O Cara. E O Cara sempre sabe com quem está lidando. Sua resposta veio da forma mais incrível e profissional, falando coletivamente, incluindo na fogueira quem precisava estar. Tudo de forma muito educada, o que me parecia tão raro naquele universo corporativo.

Eu não me aguentei e mandei um email paralelamente, pedindo desculpas. Lembro de chorar copiosamente, tudo que sempre evitei fazer numa cadeira pública. Mas não conseguia segurar. O Cara foi, até hoje, a pessoa que eu mais gostei de conhecer em toda minha vida profissional. Ele era meio pai, meio amigo. Então eu disse tudo o que sentia por ele, quase que em tom de despedida.

Em minutos, chegou um email dele:
– Ju, mais uma vez você demonstra que, junto da sua delicadeza, você tem aquele item que eventualmente te separa do meramente bons aos que são destinados a serem incríveis. Porque, no fim do dia, é a forma como você trata as pessoas que vai te elevar acima dos outros e te garantir total apoio daqueles que te cercam. E você tem o meu apoio, sempre que precisar.

Chorei por muitos outros minutos. Dessa vez, com o coração calmo e feliz.

Precisamos valorizar quem valoriza a gente. Sendo muitos ou sendo poucos. E ele era um dos poucos, mas que me ensinou muito.

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