A Batida

Quem conta: danielamartinelli
Conta mais: por uma vida com muitas gentilezas!

Voltava para casa por volta de umas 19 horas e, num momento de descuido, deixei meu carro dar um beijo na lateral de um carro de luxo novinho. Comecei a ser xingada pela dona da “máquina” e na hora só consegui dizer:
– Vamos achar um lugar bom para estacionarmos e eu poder avaliar meu prejuízo.

Quando paramos o carro, ela estava irritada ao extremo e eu, sem conseguir falar de tanto que eu chorava, deixei que me xingasse. Até que ela parou e disse:
– Você não vai me responder? Você só chora?
Ela queria que eu risse? Pois chorei copiosamente tudo o que eu precisava chorar há muito tempo… a batida foi o botão de acionamento dessa necessidade.

Com pena ou com a consciência pesada do tanto que me xingou, ela me convidou para tomarmos um chá na casa dela e juntas, com calma, avaliarmos o prejuízo – olhem que fofa! E eu fui… conversa vai, conversa vem, ela fala que é Psicóloga de cavalos. Na hora fiquei imaginando a terapia, mas depois ela falou:
– Sou de gente também, cavalo só final de semana. Faço terapia de casal, criança, adulto, bebê, mas a minha conexão é melhor com os cavalos.

Durante a conversa, descobri que ela é amiga de uma grande amiga do meu pai. O papo foi interessante e pouco antes de nos despedirmos ela disse, com seu sotaque nordestino:
– Daniela, sua cabra doida da peste! Você precisa analisar por quê não “dá seta” no carro. O reflexo disso na sua vida, o seu trauma com setas, o seu abuso no trânsito. Tome o meu cartão e agende um horário, pois você é um perigo no trânsito, queridona!

Poxa, quando ela falou “queridona”, engoli o choro! Essa forma carinhosa de tratamento me fez lembrar da época que passei no Nordeste, em João Pessoa e Recife. Por fim, ela me deu um forte abraço. Quase chorei de novo! Ela lembrou da seta e também que ligaria para passar o orçamento (ô, tristeza)!

Na volta pra casa, pensei: de fato a vida é feita de momentos, sejam bons ou ruins, e que deles tiramos muitas lições. Nunca imaginei viver o que ocorreu ontem, não digo a batida, mas o pós. Regina só podia ser mais fofa e deixar pra lá o orçamento : ), juro que recompenso com uma orquídea!

Nota de rodapé: Regina ligou conforme prometido e disse que não iria cobrar nada, pois o pequeno arranhão no carro dela é muito pequeno diante de todos os problemas da vida. Que uma lataria não é nada, mas é importante lembrar de dar seta! ; )

2 replies to “A Batida

  1. Ahhhh, Ju!! Essa aí, é a minha comadre: Dani! Parece que estou a vendo contar essa história! Eu falei desse Blog e do Insta e estou muiiiiiiiiiiiito feliz por ela, também, ter abraçado essa causa da gratidão e das historias cotidianas! Beijo para vocês, queridonas! :)

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