O Carteiro

Quem conta: julianacasemiro
Conta mais: não poderia ter recebido melhor mensagem.

Rolava um papo bom no hostel, até que eu insisti na pizza e todos toparam. Éramos 8 e, coincidentemente, um dos que eu menos tinha falado sentou na minha frente.

Do papo coletivo sobre viagens, ele contou da sua experiência pela América do Sul. Foram poucas semanas e muitos países. Joguei a primeira pergunta pra entender o roteiro e como ele conseguiu fazer tudo aquilo. Mal sabia que essa conversa iria me levar pra tantos lugares!

Ele contou tudo com uma linearidade que carregava. Não expressava muitas emoções. Até que ele falou só pra mim:
– Quem diria que um carteiro conseguiria alcançar tanta coisa, né?

Amei que ele é carteiro, nunca consegui conversar com nenhum. São eles que carregam tantas histórias e me empolguei com a ideia. Mas de conhecer a história dele, que me parecia tão fascinante. Ele continuou:
– Já fui muito pobre. Sabe aquelas Havaianas que estavam no quarto? Aquilo era o meu sapato na infância. Fiquei com dó da pessoa.
– Preta e branca? São minhas!!!
Choramos de rir! Eu contei do meu apego e que usava até acabar. Ele disse que também, mas não por escolha. Os tênis só trocava quando apareciam os dedos.

Mas a vida melhora pra quem trabalha e ele começou cedo. Sua maior ambição era passar num concurso que já estava bem colocado e que devem chamá-lo em 2 anos. Nesse meio tempo, ele já tem tudo planejado:
– Vou quitar meu segundo apartamento.

Queria levantar e dar um abraço nele. Ele tem a vida tão bem formatada, incluindo seus sonhos. Entramos na questão financeira e ele me contou o quanto ganha. Pra uns, o suficiente. Mas é pouco no país que a gente vive. Ele desenhou como se organiza e espreme tudo que recebe. Vive uma vida honesta e grandiosa. Fala bonito, com orgulho, mas zero arrogância.

Acabou surgindo uma 3×4 na minha mão:
– É a minha Shakira do Equador.
Ele fala bem espanhol e eles mantém contato desde que se conheceram lá, mas sem grandes promessas.

O papo sobre viagens terminou com sua ida pra Europa com pessoas do trabalho. Ele sofreu porque os outros dois ganhavam bem e ele não conseguia acompanhar em tudo:
– O que importa é que realizei meu sonho. Preciso aprender inglês pra ter coragem de ir sozinho. Já viajei 16 países no total. E quero mais!

Óbvio que ele quer mais, ele precisa de mais!

Pois, quem diria, meu amigo carteiro. Você já foi longe, mas não faz ideia do mundo todo que merece alcançar!

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