A Onda

Quem conta: claudiadias
Conta mais: sobrer gerir afetos.

Há duas semanas retornei à Secretaria de Educação para pegar uma declaração de tempo de serviço. Chegando lá, muitos não estavam mais, setores foram modificados, fisionomias estavam diferentes… mas alguns queridos da época em questão resistiam às gestões.

Pedi parar dar um “olá” aos que encontrasse e disse que seria breve! Ao entrar, fui procurando as carinhas conhecidas e, para minha surpresa, a primeira que se levantou e veio em minha direção foi Tia Vander que, muito antes de trabalhar lá, me conheceu “pequenina” quando morei ao lado da casa de sua irmã.

Ganhei um abraço cheio de saudade com um sorriso acompanhado de “Você voltou? Como é bom te ver!”. Essa recepção calorosa cheia de lembranças boas me transportou para uma infância de muitos alegres momentos, com a cumplicidade e bem querer que só quem consegue manter a amizade, apesar da distância, entende!

Conversei rapidamente e disse que estava só de passagem… automaticamente, um e outro foram se levantando e vindo em minha direção. Uns perguntavam se eu havia casado, se já tinha filhos, outros apenas queriam um abraço ou dizer que já eram avós. Passei em outros setores e sempre a mesma recepção fofa! Quando já estava retornando para o carro, fiquei pensando que não custa absolutamente nada tratar com carinho e respeito a todos que te rodeiam. Esse carinho se perpetuará sem esforço.

Eu que curto correr, me vejo perdida nessa maratona de horários, metas que fadigam e muitas vezes impedem de sentir o frescor de um “Bom dia!”, “Como vai?” ou gentilezas similares.

Já era final de tarde, havia chovido, temperatura caindo e o cansaço me fez desistir do treino. Estava voltando para casa, pensando que teria muito trabalho ainda pela frente. Parei no sinal e veio um rapaz numa cadeira de rodas vendendo balas. Eu disse:
– Hoje estou tão cansada que não conseguiria sentir o sabor dessas balas, mas fique com o dinheiro e dê as balas para outra pessoa. Diga que foi uma gentileza. Parabéns querido, você é um exemplo!

Ele, com um sorriso largo, me respondeu:
– Alguém já passou por aqui e me disse que uma moça linda e gentil pararia no sinal. Com um sorriso sincero e não menos lindo, me daria atenção e mais força para terminar a noite. Suas balas já estão pagas!

Fiquei sem ação! Ele não pegou o dinheiro e fez questão que eu escolhesse as balas. Disse que cereja era a minha cara (sem saber que eu amo cereja). Tudo isso em 30 segundos de sinal fechado. Agradeci e segui feliz, até aumentei o volume da música Wave, do Tom Jobim, que tocava – “Vou te contar, os olhos já não podem ver, coisas que só o coração pode entender. Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho…”

Ah Tom, sábio poeta!

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