A Família

Quem conta: anônima
Conta mais: amigo é a família que a gente escolhe.

Me casei e mudei para Santa Catarina há poucos meses. Têm sido tempos de felicidade, alegria, mas de muita solidão.

Durante uma viagem (de passagem) pela minha cidade de origem, fui recebida por um casal de amigos muito queridos, parceiros de caminhada. Fiquei mega feliz pela acolhida, mas com uma pulguinha atrás que me soprava “por onde andará a minha família, irmãos, cunhados, sobrinhos”, com a certeza de que logo me convidariam para um almoço, um passeio, uma visita, para saberem as novidades da nova vida.

Um dia se passou, outro dia também e nada. Aquilo realmente me incomodava, ninguém que fizesse parte da família havia se importado com a minha presença ou ausência.

Enfim, eu estava feliz por rever amigos bacanas e estar entre eles, os meus. Eis que enquanto preparo um almoço pra recebê-los na casa em que estava hospedada, me vem a notícia de que uma parte da família não só havia me “esquecido”, mas realizaram um “sonho antigo” com a ausência minha e do meu marido.

Aquilo foi um balde de água fria na minha alma. Um balde de sal no almoço “doce” que eu preparava. Perdi a mão, errei no tempero, precisei sentar um pouco para respirar e não agir por impulso… meu coração murchou.

Almoçamos, e, como sempre, amigos de verdade têm o dom de acalentar nossas dores. Sorri, tiramos algumas fotos, gargalhamos, o que me fez sentir um pouco mais amada. Quando eles se foram e me vi sozinha novamente, o coração voltou a ficar justo. Nesse exato momento, navegando pelas redes sociais sem um pingo de interesse, recebi um convite para ser madrinha de casamento de uma amiga com a qual não me relacionava desde a infância. Não a vejo pessoalmente há, no minimo, 15 anos. Briguinhas infantis, mudanças de cidade, caminhos diferentes nos levaram a um contato quase que superficial.

Depois do convite em que ela dizia fazer muita questão da minha presença, veio uma inundação de carinho, de consideração mútua, de boas lembranças e de boas notícias: o meu recomeço em Santa Catarina teria agora uma parceria paulista – a amiga, depois de casada, vai se mudar para a cidade em que estou morando.

Chorei, dessa vez, de alegria. Pelo reencontro e por sentir amor de verdade. Aquele de amigo do peito. E por saber que não estaria caminhando sozinha, pois haveriam amigos fiéis e queridos pra fazer diferença na minha vida.

“Família é quem você escolhe pra viver. Família é quem você escolhe pra você. Não precisa ter conta sanguínea. É preciso ter sempre um pouco mais de sintonia.”

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