O Carinho

Quem conta: claudias
Conta mais: o carinho foi um sinal.

Estava no trânsito caótico de um dia tumultuado que só terminaria à noite. Pensei em almoçar e depois reorganizaria as prioridades.

Para minha alegria, encontrei um amigo querido que não via há algum tempo. Ele havia finalizado o tão sonhado mestrado, mas junto veio o término de um relacionamento de 4 anos. Bem, eu estava num processo dolorido de fim de romance também.

Almoçamos juntos e, depois do compartilhamento de desilusões amorosas, concluímos que estávamos mergulhados no trabalho para fugir de um enfrentamento e, por isso, tínhamos pressa e chorávamos na ilusão de sermos vítimas de uma situação que, para sair, só com muita maturidade e aceitação.

Rimos, choramos, rimos de novo… e eu disse:
– Nessa hora, todo conhecimento científico – teórico e vivencial – ajuda, mas se não tiver um “Desperta, vai, acordar é muito pouco” de nada adiantará! E digo mais, nós estamos nos achando a última bolachinha do pacote, né! Estamos carentes e descrentes que o “amor não é nossa praia” sendo que há tantos por aí, lutando pela vida sem 1/3 da condição que temos. Lá no fundo, a forma como encaramos as situações é que devolverá em proporção o aprendizado que teremos que adquirir para ser e fazer feliz.

Ele concordou e contou um fato que o ajudou a enfrentar com mais dignidade aquele momento de angústia. No semáforo e em um táxi para a universidade, veio um garoto de uns 6 anos vendendo jujuba e ele disse:
– Estou sem grana, querido.
E passou a mão na cabeça dele. Ele saiu e, antes que o sinal abrisse, veio outro e bateu na janela. Ele abriu e repetiu o que havia dito, mas, para sua surpresa, o outro garotinho disse:
– Eu só queria que você passasse a mão na minha cabeça também!

Nesse momento, eu, que só ouvia, já estava aos prantos! A pressa sabota muitas vezes a real interpretação que devemos ter. A capacidade de se colocar no lugar do outro e perceber suas dores e necessidades, interpretar palavras não ditas e o que as imagens não revelam, se esvaziar para ouvir o que tem a dizer e não apenas o que gostaríamos de ouvir, são pré-requisitos de respeito a si e ao próximo, dotados de uma sensibilidade e maturidade em entendimento, onde você colhe o que “planta e cultiva”. E a parte mais importante é o “semear”.

2 replies to “O Carinho

  1. Emocionada, aqui…Claudia!!
    Linda história! Precisava ler isso hoje…talvez, todos os dias!
    Por dias com menos pressa, por favor!
    #gratidaosempre

  2. Realmente, uma linda história!
    Muitas vezes o carinho vem, de onde menos esperamos, neste caso quantos fomos acariciados não é?!
    E sobre a pressa…Corremos tanto o dia todo em busca de metas, objetivos, prazos… sem perceber que a “fuga” camufla as mudanças que precisamos enfrentar e essa corrida de si mesmo não completará percurso algum, até que esse confronto se evidencie!!!

    Obrigada Terezinha, por apreciar, se emocionar e relatar por aqui sua emoção!
    #Gratidão por você #Gratidão Jú, beijos beijos maiores que eu!!!

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