Um Novo Mundo

Quem conta: glêmorais
Conta mais: um mundo que eu não lembrava que existia.

Não sou uma mocinha que viajou muito na vida – a não ser no universo das ideias. Embora viajar seja um dos meus maiores prazeres (!), conheço poucos cantinhos do país.

Conhecer e trocar ideias com outras pessoas é outro interesse. Repare que, a partir do instante que você se abre para perceber o que outro indivíduo tem a oferecer, um novo mundo se descortina diante de seus olhos (mente, alma, pele, coração). Aquela pessoa é capaz de te ensinar um bocado sobre – sua – vida e compartilhar com você conteúdos que não revelou a ninguém. E você fará o mesmo.

Em maio, estive em Piraí do Norte. Tenho uma relação de amor com a Bahia. E com o Rio de Janeiro. Um desejo: morar no Rio e passar uns dias – pelo menos uma vez por ano – na Bahia. Com direito a outro período no ano para conhecer e explorar outros estados brasileiros e países. :) Ah! A Bahia! ♥

Para quem vive numa cidade embrutecida como São Paulo, o contato com o Estado de Jorge Amado pode ser um choque de realidade. Fora da experiência como turista, que sempre foi positiva, a viagem a trabalho me permite entrar em contato com o cotidiano das pessoas. E é aí que a vida ganha mais cor, brilho, sabor. Baiano – e pelo que sei, o nordestino – é acolhedor. De te colocar pra dentro de casa, ainda que pouco te conheça. De te convidar pro São João ou o Carnaval ou outra festa importante da cidade e te intimar pra ficar em sua residência. E não é um convite feito por educação.

E fui recebida assim. Paralisei, entendi e desmoronei. Faltou chorar, mas achei melhor segurar um pouco a emoção. A diretora de uma escola me convidou para voltar e conhecer a festa junina do município. E, no verão, ir com eles conhecer as ilhas que são quintal dos moradores que, em família ou grupos de amigos, alugam barcos e lanchas para aproveitar paraísos que desconhecemos. Claro, ficando na casa dela.

Eu? Disse que iria e estava já me despedindo quando ela me derrubou, perguntando:
– Como você vem, se nem anotou meu telefone?
Meus olhos viraram rios neste instante, quando a paulistana teve contato com esta humanidade, este acolhimento. Para quem é cria de convenções, o estranhamento é grande.

E, voltando lá pro início do texto, se você estiver aberto, este estranhamento vai fazer ruir seu muro de convenções e te ensinar que educação é também ser acolhedor, sincero e amoroso. Ou é essencialmente isso. Desta viagem, a diretora da escola, que anotou meu telefone para quando vier a São Paulo, foi apenas uma das personagens que, deliciosamente, cruzaram meu caminho. Foi a primeira a me reportar para um mundo de afeto que não lembrava que existia. Mergulhei e abracei todas as outras demonstrações de carinho que vieram depois. E foram tantas. ♥

Eu não pude voltar pro São João. Não sei se consigo neste verão. Mas, o telefone dela está guardado na agenda – e no coração – para minha futura visita.

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