Na Transilvânia

Quem conta: julianacasemiro
Conta mais: era pra ser um destino marcante das férias, mas foi além disso.

Junho de 2013.
Eu contei aqui que ir pra Romênia foi muito especial. Mas umas semanas antes do meu embarque, a amiga que eu visitaria lá contou que em 2 dias da minha estadia ela e o namorado precisariam ir pra Transilvânia pra um curso. Na hora, fiquei um pouco chateada, até que ela fez a associação Transilvânia-Drácula. Topei ir junto na hora!

O curso deles era de Xamanismo, algo que eu pouco sabia que existia, mas eles me explicaram. É uma forma mística de viver a vida, que se associa às energias de conexões com a natureza e outras experiências geradas quando você chega num transe através de um tipo de meditação.

Para ser um Xamã a caminhada é longa e o casal estudava para isso. Um Xamã seria como um Pajé na nossa cultura. Eu não poderia me envolver em nada e nem forcei, então o combinado era que eu ficaria pela cidade enquanto eles estavam numa pousada com o grupo fazendo o curso.

Mesmo tendo uma formação religiosa, sempre me abri a tudo que envolva fé e deixei claro pra eles.

A viagem foi maravilhosa de Bucareste até Brasov. Nós ficamos em uma casa no topo de uma montanha tão alta, que fazia frio e névoa. O primeiro dia foi demais, fui para o Castelo do Drácula e andei a cidade de Bran inteira. Tudo temático e muitas comidas gostosas.

No dia seguinte, minha amiga disse que eles fariam uma fogueira em um ritual de renovação e que gostaria que eu fosse. Todo o processo foi muito interessante, eu precisei fazer uma lista de tudo que me magoou um dia, inclusive pessoas. Foi emocionante. A ideia era que as dores passassem com as reflexões do ritual.

A Xamã do grupo estava doente e não podia se expor ao frio que fazia, então o padrasto da minha amiga foi o escolhido para ser o porta-voz da fogueira. Só ela poderia falar em inglês, então ele teve que falar em romeno. Fizemos um círculo e eram todos locais, menos eu. Todos tinham suas bolsas com panos lindos onde carregavam as pedras que mantém a energia e aprendizado – usadas em todos os rituais.

O padrasto querido começou seu discurso e minha amiga me falou baixinho que depois explicaria, mas que era pra eu pensar em momentos felizes. Eu falei que não precisava explicar, porque eu estava sentindo.

Involuntariamente, lágrimas começaram a escorrer no meu rosto e eu chorei muito. De emoção! O romeno é uma língua que mistura vários idiomas e, ainda assim, eu pude entender que se falava de AMOR.

Todos seguravam flores e precisam cantar uma música, que aos poucos eu fui aprendendo e cantando junto. O tom de voz começou baixinho e foi ficando bem alto. Nessa hora, a primeira pessoa foi até a fogueira e fez movimentos com as mãos “pegando” a energia do fogo como uma purificação. Ela escolhia a próxima a ir e assim seguiu.

Eu fui também e me senti muito especial, porque o olhar das pessoas dizia o que elas não sabiam falar em outra língua. Foi inesquecível e inexplicável, consigo fechar os olhos e lembrar de tudo.

Agradeci muito pela experiência e ganhei um abraço de todos no final.
Sem dúvidas, o amor fala todas as línguas – independente da religião, nacionalidade, etnia. Depois da experiência que vivi, posso garantir isso!

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