O Peixeiro

Quem conta: eleonoraribeiro
Conta mais: era uma experiência gastronômica que virou memória pra sempre.

Mudei de país em busca de aprendizado. Aprendizado pessoal/espiritual e profissional. Aprender, pra mim, sempre foi algo relacionado a livros e pessoas. Aprender com livros pode exigir disciplina, aprender com pessoas pode exigir abertura. Com olhos, mente e coração abertos, tento viver as novas experiências.

Nessa viagem, embarcou comigo o meu marido. Estamos morando no litoral da França, onde as especialidades culinárias variam, evidentemente, em torno de peixes e frutos do mar. O marido não é nada fresco, mas não come peixe. Um desperdício, penso eu, mas cada um tem seus gostos e preferências.

Resolvemos fazer um circuito por uma cidade próxima e o passeio incluía uma peixaria muito honesta, que só compra peixe diretamente dos pescadores locais e chegam diariamente ao porto. Nada de empresas, nada de produtos químicos, tudo limpo em vários sentidos. Fomos recebidos por um casal alegre e acolhedor. Ele, grande, forte, “feio” como o Gérard Depardieu. Ela, grande também, mas o sorriso era ainda maior. Quanto carinho ao trabalho. Com que satisfação explicaram como preferem valorizar os produtores locais, apesar de ficarem sem o que vender quando o clima não colabora. Se os pescadores não podem pescar, os peixeiros não podem vender. E tudo bem pra eles, o trabalho dignifica….mesmo!

E então eles nos oferecem para experimentarmos… ostras! Frescas, pequenas como devem ser, com gosto de ostra e não de produtos. Com muito prazer, comemos. Opa, comemos? Sim, meu marido comeu ostra! E fez a carinha mais feliz e sincera dizendo que tinha gostado. Foi então que o Gérard Depardieu peixeiro ficou ainda mais gentil e nos serviu uma salada com tartare / peixe cru. Comemos felizes! Diante de uma pessoa tão atenciosa, resolvi ser sincera e contei que meu marido não gostava de peixe. Para ser então corrigida pelo próprio:
– Até hoje!

Nosso peixeiro abriu um enorme sorriso, parou o olhar por alguns segundos e nos disse com a alegria de uma criança:
– Saber disso me deixa muito feliz, mesmo!
Acreditamos. Simples assim.

Ainda falamos um pouco de futebol, afinal todos querem saber como os brasileiros ficaram com a derrota na Copa do Mundo. Fomos embora comentando a sorte que tivemos de cruzar com pessoas assim.

Ali, conhecemos uma pessoa temporária que certamente será permanente em nossos corações.

*A querida Elew tem um blog onde compartilha mais ainda sobre essa linda experiência. Para conferir tanta inspiração, eu recomento clicar no http://csuper.com.br/ <3

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