Na Cama do Hospital

Quem conta: gêgaspar
Conta mais: estava sozinha no hospital, até ela aparecer.

Tinha eu 13 anos quando fui diagnosticada com uma condição no coração resultado de má formação congênita. Tive de ser operada de emergência e permaneci internada durante 9 meses em um hospital público na área de cardiologia, o que significa que era a mais nova no edifício. No meu piso, o mais novo depois de mim tinha 63 anos.

Virou a minha segunda casa, mesmo sendo a primeira vez internada longe da minha família, da minha mãe. Para completar, faleceu um colega de quarto um dia depois que entrei. Estava assustada e sozinha em um quarto com mais três senhorinhas, todas simpáticas, mas apenas uma sentiu a minha aflição.

Talvez por sermos as mais novas do piso, ou talvez ela tivesse simplesmente um coração puro, esse podia ter sido o pior período da minha vida se não fosse ela.

Do nada, simplesmente me disse:
– Não se preocupe, daqui a pouco já é o dia seguinte e poderá ver a sua mamãe. Vem dormir aqui comigo que a minha cama é grande para mim.

A cama dela não era grande, na verdade, nós duas mal cabíamos nela, mas ela sabia que eu precisava. Eu estava assustada demais para negar. No final daquela semana, já éramos unha e carne. Dormimos na mesma cama por 9 meses.

Tive alta e, passado um tempo ela também. Não pude visitá-la no hospital porque eu era muito nova, mas fui até sua casa por duas vezes até perder contato depois de tantas idas e vindas dela. Provavelmente, ela já não está mais entre nós, mas ela foi, sem sombra de dúvidas, a minha mais marcante temporary person. Hoje eu tenho 24 anos.

4 replies to “Na Cama do Hospital

  1. gêgaspar…
    Impossível conter a emoção lendo sua história!!
    Penso que temos ao nosso lado, alguns anjos que Deus envia para, nas horas mais difíceis, aliviar nosso sofrimento, nossa angústia…E nesse seu relato, uma foi o “anjo’ da outra…na verdade, acho que a “senhorinha de coração puro” (achei lindo isso!!) também precisava de você.
    Saúde para você! E que venham mais anjos em nossas vidas!!
    Gratidão sempre! ;)
    Abraços!

  2. É isso que também senti, terecalyrio, a senhorinha de coração puro também precisava de atenção, do conforto de alguém ao seu lado. Linda história, gêgaspar!

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