Na Última Poltrona

Quem conta: mariapaulapires
Conta mais: sinto saudades dele também.

Em 2009 ganhei de presente uma viagem maravilhosa. A minha felicidade só não era maior porque, justo na semana da viagem, meu pai, com metástase óssea, não estava muito bem e acabou sendo internado para tomar soro e outros medicamentos.

Estava quase decidindo por não viajar mais, mas ele mesmo me obrigou a ir. Pela primeira vez eu ia conhecer lugares que já amava: Paris e Portugal, terra natal dele. Acabei embarcando e fui.

Por mais triste que eu estivesse, não acreditava que estava realizando um sonho antigo! Após cinco dias maravilhosos em Paris, embarquei no final da tarde de uma sexta-feira para Lisboa. Engraçado que, bem nesse dia, senti uma tristeza profunda sem saber o por quê.

À noite jantei no hotel e dei um passeio a pé pelos arredores… tudo muito lindo! Às sete da manhã do sábado recebi uma ligação da minha mãe pedindo para eu voltar, pois meu amado pai estava morrendo, já em coma, depois de passar por uma biópsia no cérebro. Desespero total! Não conseguia trocar a passagem com a companhia aérea, mas finalmente consegui um vôo direto para São Paulo.

Embarquei à base de tranquilizantes, não queria por nada estar vivendo essa situação. Que dor horrível no peito.

Só havia mais uma poltrona nesse vôo. Fiquei parada, olhando para o bagagerio não sei por quanto tempo, até que um rapaz se levantou e me ajudou. Sentei ao seu lado e percebi que ele era muito bonito e educado. Ele me perguntou se estava tudo bem e eu comecei a chorar sem parar. Fomos conversando sobre a vida e as perdas necessárias.

Não perguntei o nome dele e nem ele o meu, e olha que conversamos por horas. Mas até hoje eu não me esqueço dos cuidados e gentilezas dele comigo.

Chegando no aeroporto, por estar muito zonza devido aos medicamentos, eu simplesmente não sabia para que lado ir.
Ele ficou comigo o tempo todo esperando pela minha bagagem na esteira. E, para somar, uma mala sumiu! Fiquei duas horas na espera, louca para poder abraçar meus irmãos e minha mãe que vieram me buscar. Enquanto isso, o lindo moço ficou lá comigo, apesar de já estar com suas malas.

Finalmente deu tudo certo e, na saída, ganhei um beijo na testa e um abraço apertado. Consegui chegar a tempo de encontrar meu pai, meu maior amor do mundo, ainda com vida.
Ele faleceu dois dias depois…

Até hoje eu me lembro desse anjo lindo que cuidou de mim o tempo todo e mentalizo que ele seja sempre muito feliz!

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