Na Turbulência

Quem conta: clarissaatoguia
Conta mais: eu estava com muito, muito medo.

Meu marido recebeu uma proposta de trabalho e mudamos para outro Estado. Ele foi primeiro, porque já tinha que começar, e eu iria depois, enquanto finalizava a venda da nossa casa e um treinamento no escritório.

Resolvemos passar um fim de semana juntos. Saí do trabalho e fui direto pro aeroporto. A rota seria Columbus – Chicago – Des Moines. Os dias por lá foram de busca por uma nova casa e bem estressantes, mas estava feliz em estar com ele. Domingo chegou, almoçamos e pro aeroporto eu fui. Nevava muito, muito mesmo. Depois de um atraso do voo, embarquei.

Chicago estava com tudo fechado por causa do tempo e fiquei sentada no avião esperando por 2 horas. Depois de duas tentativas de derreter a neve, fomos liberados pra voar. E, sem dúvidas, foi o pior vôo da minha vida! O piloto avisou que não fariam serviço de bordo porque iríamos enfrentar turbulência, mas tudo bem, era um voo de 45 minutos. Só não imaginava que o avião tremeria tanto, até que a luz de “atar os cintos” acendeu.

A aeromoça começou a fazer um anúncio e, no meio, sua voz mudou. Entrei em desespero, perguntei pro cara ao meu lado se ela realmente estava chorando. Pra me acalmar, ele disse que não, mas esticou a cabeça no corredor e confirmou que era verdade. O avião despencou várias vezes, do corpo levantar do assento. Estava muito nervosa e chorando, pensando que, se acontecesse alguma coisa, ao menos disse pro meu marido que eu o amava (esse era o nível do desespero).

Virei pro moço e perguntei:
– Posso segurar a sua mão? Estou com muito medo!
– Claro!

Ele me deu a mão e perguntou se eu queria rezar. Eu disse que sim e rezamos juntos. Conversamos pro tempo passar, mas o avião não parava de chacoalhar e eu só ouvia as pessoas falando baixo, rezando. Foi assustador.

Contei que estava de mudança pra Des Moines e ele me contou um pouco sobre a cidade. Finalmente chegamos em Chicago. Nos despedimos, agradeci o conforto e saí correndo pra pegar o meu outro voo, porque já estava atrasada. Não deu nem tempo de me recuperar do susto e já estava sentada de novo dentro de um avião pra mais 1 hora e pouco de viagem. Aguentei firme e devo muito àquele cara que sequer perguntei o nome.

A melhor parte é que, um mês depois, mudei pra cidade nova e saí pra jantar com meu marido. No restaurante encontramos com o cara do avião e pude mostrar quem me acalmou dando as mãos naquele momento difícil. Paramos rapidamente na mesa dele, porque meu marido quis agradecê-lo. Eu sorri e agradeci novamente.

Ele estava com um grupo de amigos e tudo que penso hoje é nele contando que eu pedi pra segurar a sua mão! : )

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