A Segunda Mãe

Quem conta: erickcobe
Conta mais: eu não imaginava que ganharia uma segunda mãe.

Eu trabalhava em uma grande empresa de moda e fui transferido para Fortaleza, no Ceará.
Quando recebi o ok para a mudança, fui duas vezes pra lá pra procurar um apartamento. Na segunda, achei o meu canto e era lindo. Minha tia seria a fiadora, até descobrirmos que ela não poderia mais e meu mundo caiu.

Chorei rios que poderiam acabar com a seca do Nordeste, tamanho o meu desespero. Até que pensei: “Deus está aí e vai me ajudar”. Eu estava hospedado na casa de uma amiga do trabalho e ela ofereceu que eu ficasse lá o tempo que precisasse, mas visita tem prazo de validade.

Saí andando sem rumo, mal conhecia a cidade, até que me deparei com uma placa gigante de “Aluga-se” em um prédio de 3 andares super fofo. Com o tempo, descobri que era uma boa localização, liguei e a proprietária, Dona Rose, estava viajando. Muito educada, com uma voz super calma, me pediu pra retornar na outra semana.

Sou mega ansioso e pensei que ela deveria ter deixado a chave com alguém – e realmente a chave estava lá. Quando entrei, o apartamento era a visão do inferno. Tudo destruído, um terror, mas meu desespero era maior e eu resolvi aceitar.

Quando virou a semana, liguei pra Dona Rose e combinamos de nos encontrar. Chegando lá, para minha surpresa, não era o apartamento que eu tinha visitado. Era o vizinho, muito conservado, com pintura nova, piso impecável e a proprietária, super querida, me mostrou e contou tudo que precisava para alugá-lo. O porém é que eu não atendia às exigências, então contei minha história – eu tinha 25 anos e estava começando a vida. Até que ela falou:
– Se meu filho estivesse vivo, ele teria a sua idade. Eu fui morar em Paris muito jovem e lá não conhecia ninguém. Achei um apartamento pequeno de um Senhor, contei a minha situação, que era muito parecida com a sua, e ele me alugou com uma condição:
– Eu vou fazer isso por você, mas um dia você tem que fazer isso por alguém também!
Ela me escolheu pra ser essa pessoa e comecei a chorar:
– Nossa, quando eu contar isso para minha mãe ela nem vai acreditar!
E ela disse:
– Então, fala para sua mãe que agora você tem uma mãe em Fortaleza!

No final da conversa, ela me perguntou o que eu colocaria no apartamento e eu só tinha a mobília do quarto, computador e minhas roupas. Ela tinha outro apartamento mobiliado e disse que poderia trazer fogão, geladeira e outras coisas. Eu aceitei, mais uma vez, chorando.

Ela me mostrou que ainda existem pessoas que só querem fazer o bem e ponto.
E eu só posso agradecê-la por isso até hoje.

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