No ar: a primeira história!

Quem conta: julianacasemiro
Conta mais: eu não sabia que esse dia daria uma boa história.

A primeira história é a primeira história que mudou a minha vida. Aconteceu no dia 04 de abril de 2003, quando fui morar em Londres. Era a primeira vez em muitas coisas: sair de casa, ir para bem longe e voar sozinha também. Como muitas mortais que eu conheço, sempre sonhei em sentar ao lado do bonitão do avião, um cara incrível que iria mudar a minha viagem. Mas, né, eu tinha 18 anos recém-completos e não tinha milhas o suficiente para entender que isso não acontece. Não comigo.
Ao meu lado, sentou um cara baixinho e magro, 30 e poucos, cara de ranzinza, nem me olhou. Tudo bem, eu não queria que ele me visse chorando. Eu estava bem, mas não queria falar que naquele dia eu acordei querendo desistir de tudo.

O avião subiu e comecei a ler uma revista de Londres. Em seguida, ele começou os trabalhos:
– Você está indo pra Londres mesmo?
– Estou e você?
– Também, mas moro em Birmingham. Está indo passear?
– Não, vou ficar um tempo.
E, sem sequer saber o meu nome, ele falou:
– Eu sinto que vai dar tudo certo! Você tem namorado?
– Não…
– Em Londres você vai arrumar.
Dei risada.

Depois de um tempo ele perguntou se eu tinha um mapa.
– Me dá isso daí que vou marcar um monte de lugar pra você conhecer! Você vai amar Londres!
Nessa hora, ele sorriu, eu sorri e o mapa começou a ficar poluído de tanta anotação. Eu adorei, não tinha referência alguma.

O diálogo foi bom. Jarson, enfermeiro, de algum lugar do nordeste que não consigo lembrar. Fez o curso de Enfermagem na Inglaterra e por lá ficou. Foi a primeira pessoa que me ensinou como a profissão é valorizada no “primeiro mundo” e que vale a pena fazer a vida do lado de lá. Estava visitando a mãe no Brasil e aproveitou para trazer um amigo médico gringo (que estava a bordo também) para conhecer a terrinha.

Gostei muito que ele perguntou a minha história. Eu era, nitidamente, uma criança e mesmo assim (ou, talvez, por isso) ele me deu uma atenção especial. Sem nunca parar de falar de Londres, claro. Depois do jantar, ele me perguntou se eu estava com sono. Era óbvio que não! Eu queria era chegar logo nessa cidade aí.

Eis que ele levanta e pega uma caixa enorme no compartimento de bagagem.
– Você joga Xadrez?
– Não, só Damas.
– Ótimo, eu também adoro.
Ele abriu a caixa e era um tabuleiro com pedras brasileiras maravilhoso. Nunca vou esquecer como era lindo. E estreamos o brinquedo ali. Ganhei a primeira, perdi a segunda e a melhor de três. Odiei (hahaha), mas ele era espirituoso e manteve o clima legal.

Bateu um sono e acordamos no café da manhã. Um sorriu pro outro cansado e ficou por isso. Ele me deixou o telefone dele se eu precisasse de alguma ajuda. Desembarcamos, encontramos o amigo dele e ele ofereceu de seguir comigo, caso eu precisasse de algo. Infelizmente, nos perdemos antes da Imigração.

Eu nunca liguei, tive vergonha. O mapa me ajudou muito, conheci Londres inteira em uma semana.
Ele não sabe, mas me apresentou um dos grandes amores da minha vida!

3 replies to “No ar: a primeira história!

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